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Velho que se cuida, cem anos dura

Autores: Ignacio Amigo De La Huerga

Editores Chefes: Carmen Fernandez

Editores Associados: Guilherme Marson

Hábitos saudáveis estão diretamente associados a uma vida longa e boa.

Por que este ditado faz sentido?

É bem conhecido que a longevidade tem uma relação direta com o estilo de vida. Estudos mostram que uma alimentação balanceada, assim como manter o corpo e a mente ativos, realizar exercício físico e não fumar são fatores fundamentais para viver mais tempo.

Os lugares do mundo com uma maior porcentagem de pessoas acima dos cem anos se caraterizam por pessoas com hábitos alimentares saudáveis, com muitos alimentos derivados de plantas, poucas calorias e poucos alimentos processados.

Junto com uma boa alimentação é fundamental a prática de atividades físicas. O sedentarismo promove o aumento de peso e o desenvolvimento de obesidade. As pessoas com sobrepeso têm um maior risco de sofrer doenças cardiovasculares e diabetes, assim como alguns tipos de câncer.

Finalmente, está bem estabelecido que os fumantes têm maiores probabilidades de terem câncer de pulmão e doenças respiratórias. A cada ano seis milhões de pessoas morrem por doenças relacionadas com o tabaco.

Grandes escolhas sobre as pequenas coisas de cada dia

Dietas equilibradas no decorrer de toda vida são determinantes na extensão e na qualidade da vida.

As dietas gordurosas ou com níveis muito altos de açúcar, junto com a falta de atividade física, promovem o acúmulo de gordura. Quando a quantidade de gordura no corpo é muito alta pode interferir com a regulação do organismo. Isso faz com que os nossos níveis de glicose no sangue permaneçam altos durante mais tempo depois das refeições, o que por sua vez pode danificar os órgãos. O excesso de gordura também pode entupir  os vasos sanguíneos, aumentando a probabilidade de ocorrer um infarto.

O tabaco contém na sua composição um grande número de substâncias tóxicas. Algumas delas favorecem o desenvolvimento do câncer, outras afetam a estrutura das células pulmonares, deixando-as menos elásticas e mais vulneráveis. Fumar também aumenta a probabilidade de infarto, ao reduzir a quantidade de oxigênio transportado no sangue e aumentar a frequência cardíaca.

Hábitos saudáveis estão diretamente associadas a uma vida longa e de qualidade.

Menos é mais na balança molecular

Muitos dos problemas gerados pela falta de exercício, má alimentação e uso frequente de cigarro estão associados à produção exacerbada de espécies reativas de oxigênio. Estes compostos, que são fundamentais para o funcionamento normal do organismo, viram tóxicos quando são produzidos em níveis altos, já que têm uma alta capacidade para modificar a estrutura de outras moléculas importantes para as nossas células.

Com a idade diminui a capacidade do organismo para lutar contra o estresse gerado pelas espécies reativas de oxigênio. Estudos mostram que dietas com menos calorias ajudam a manter altos os níveis de defesas antioxidantes.

Como os cientistas sabem disto?

Nos anos 30 do século passado um pesquisador norte-americano chamado Clive McCay descobriu que os ratos de laboratório vivem mais tempo quando se reduz a quantidade de calorias da sua dieta. Hoje sabemos que existem várias intervenções alimentares que aumentam a longevidade em um grande número de animais. Porém, os mecanismos pelos quais isso acontece não são bem conhecidos.

Um dos protocolos alimentares para aumentar a longevidade é a chamada “dieta intermitente”. Nela os animais só recebem comida em dias alternados: um dia comem à vontade, o dia seguinte ficam em jejum, o dia seguinte voltam a comer à vontade, o seguinte ficam de novo em jejum e assim sucessivamente.

Pesquisadores do Redoxoma estudaram em ratos os efeitos da dieta intermitente comparada com uma dieta normal de laboratório, na qual os animais têm acesso à ração vinte quatro horas por dia. Uma observação interessante é que, apesar de ingerirem a mesma quantidade de calorias a longo prazo, os animais na dieta intermitente são mais magros, já que nos dias que têm acesso à ração comem em excesso. Os pesquisadores descobriram que o que acontece é que os ratos na dieta intermitente têm o metabolismo acelerado e nos dias em jejum aproveitam para queimar gordura.

Os pesquisadores mediram também os níveis, no cérebro, de moléculas que controlam o apetite. Os resultados mostram que os ratos na dieta intermitente estão continuamente com fome, inclusive nos dias nos que têm acesso à ração!

Por isso, se quiser viver muitos anos mas sem sofrer o martírio da fome, o melhor é ter uma alimentação equilibrada mas sem excessos e manter hábitos saudáveis de saúde e exercício. Afinal, velho que se cuida, cem anos dura!

Saiba mais

Chausse B, Solon C, Caldeira da Silva CC, Masselli Dos Reis IG, Manchado-Gobatto FB, Gobatto CA, Velloso LA, Kowaltowski AJ. Intermittent fasting induces hypothalamic modifications resulting in low feeding efficiency, low body mass and overeating. Endocrinology. 2014 Jul;155(7):2456-66. doi: 10.1210/en.2013-2057


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