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Diz-me o que comes e te direi quem és

Autores: Ignacio Amigo De La Huerga

Editores Chefes: Carmen Fernandez

Editores Associados: Guilherme Marson

 

 

Por que este ditado faz sentido?

Os alimentos que ingerimos são usados pelas nossas células para obter energia e repor componentes danificados. A qualidade desses alimentos, assim como a quantidade de calorias por refeição, o número de refeições por dia e o intervalo entre refeições são alguns dos elementos que afetam como o nosso organismo usa esses nutrientes.

O nosso corpo produz a maioria dos componentes necessários para a vida. Porém, algumas substâncias fundamentais como as vitaminas não podem ser sintetizadas pelo nosso organismo e têm que ser ingeridas na dieta. A falta dessas substâncias está associada a doenças, como por exemplo o escorbuto, que é causado por uma deficiência de vitamina C.

Por outro lado, pessoas com uma alimentação com alto teor em gorduras ou açúcar, e que ingerem muitas calorias, têm mais probabilidade de ganhar peso e desenvolver obesidade. Quando a quantidade de gordura no corpo é muito alta começa a interferir com a regulação do organismo. Isso faz com que os níveis de glicose no sangue permaneçam altos durante mais tempo depois das refeições, como ocorre no caso do diabetes tipo 2, o que por sua vez pode danificar os órgãos do corpo. O excesso de gordura também pode entupir os vasos sanguíneos, aumentando a probabilidade de sofrer um infarto.

Dietas equilibradas estão relacionadas à manutenção saudável do metabolismo.

Química na medida certa

Muitos dos problemas gerados por uma má alimentação estão associados à produção exacerbada de espécies reativas de oxigênio. Estes compostos, que são fundamentais para o funcionamento normal do organismo, são tóxicos quando produzidos em níveis altos, já que têm uma alta capacidade para modificar a estrutura de outras moléculas importantes para as nossas células.

Estudos mostram que a formação de espécies reativas de oxigênio nas células que acumulam gordura promovem inflamação e favorecem o desenvolvimento de resistência à insulina e outras moléculas que controlam os níveis de glicose no sangue.

Como os cientistas sabem disto?

Alguns hábitos alimentares estão bem relacionados com o ganho de peso e o desenvolvimento de doenças relacionadas com a obesidade. Para entender melhor como a alimentação age no organismo, um estudo do grupo Redoxoma avaliou os efeitos de quatro tipos de dietas em ratos de laboratório.

Na primeira dieta os animais tiveram acesso à ração continuamente, vinte quatro horas por dia e sete dias por semana. Na segunda dieta, os animais tiveram acesso à ração dia sim, dia não. Já na terceira, os animais foram alimentados com 40% a menos de ração. Finalmente, a quarta dieta foi igual à terceira, mas suplementada com vitaminas e outros nutrientes essenciais.

Os resultados mostraram que os animais com acesso contínuo à ração engordaram mais e desenvolveram algumas das caraterísticas típicas da obesidade, como uma alta taxa de formação de espécies reativas de oxigênio, níveis elevados de glicose no sangue e dificuldade para reduzir os níveis de glicose depois das refeições.

Os animais alimentados com ciclos de comida e jejum perderam peso, mas tiveram um aumento na formação de espécies reativas de oxigênio que alteraram a função de algumas moléculas importantes. Em consequência, a longo prazo sofreram efeitos parecidos aos dos animais obesos.

Na dieta de 40% os animais também perderam peso, mas quando a ração não foi suplementada os animais tiveram um aumento de espécies reativas de oxigênio como nos casos anteriores.

Os efeitos mais saudáveis foram os da dieta com menos calorias e suplementada com vitaminas e outros micronutrientes, já que os animais perderam peso, mas não aumentaram a formação de espécies reativas de oxigênio e mantiveram a capacidade para regular os níveis de glicose no sangue.

A conclusão é que uma dieta balanceada faz um organismo equilibrado. Ou dito de outra forma: “Diz-me o que comes e te direi quem és!”.

Saiba mais

Cerqueira FM, da Cunha FM, Caldeira da Silva CC, Chausse B, Romano RL, Garcia CC, Colepicolo P, Medeiros MH, Kowaltowski AJ. Long-term intermittent feeding, but not caloric restriction, leads to redox imbalance, insulin receptor nitration, and glucose intolerance. Free Radic Biol Med. 2011 51:1454-60. doi: 10.1016/j.freeradbiomed.2011.07.006.


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