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Devagar se vai Longe

Autores: Ignacio Amigo De La Huerga

Editores Chefes: Carmen Fernandez

Editores Associados: Guilherme Marson

O ritmo desequilibrado da vida contemporânea não resulta em boa saúde. Parar é necessário.

Por que este ditado faz sentido?

A vida atual ocorre a um ritmo acelerado. As pessoas correm apressadas de um lado para o outro. Nas grandes cidades, milhares de carros e fábricas liberam compostos tóxicos que poluem o ar.

Essas condições são prejudiciais para a nossa saúde, não só pelo stress que produz a vida agitada mas pelo efeito nocivo que os poluentes do ar têm sobre o nosso corpo.

Para ter uma vida duradoura e saudável, o melhor é viver sem pressa.

Ar para viver e a poluição que nos mata

Segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2012 houve 7 milhões de mortes prematuras associadas à poluição do ar. Os efeitos principais do ar poluído no nosso organismo têm lugar nas vias respiratórias e no sistema cardiovascular.

A poluição piora condições como a asma e favorece o desenvolvimento de doenças pulmonares, como a bronquite crônica e o enfisema. A apresentação de episódios de rinite alérgica também está relacionada com a má qualidade do ar.

O "smog": fumaça e neblina combinam na atmosfera poluentes produzidos pela sociedade.

 

Existem muitos indícios de que o ar poluído favorece a constrição dos vasos sanguíneos, assim como o desenvolvimento de aterosclerose.

Finalmente, a exposição ao ar poluído aumenta a probabilidade de desenvolver câncer de pulmão e outros tipos de câncer, como o cervical e o cerebral.

Por que a poluição nos faz mal?

O ar poluído contém diversos tipos de componentes nocivos para o nosso organismo, como o ozônio, o dióxido de enxofre ou o dióxido de nitrogênio. Uma parte importante desses poluentes são produzidos por automóveis e fábricas.

Um dos principais agentes tóxicos do ar poluído é a chamada “matéria particulada”, uma mistura de substâncias líquidas e sólidas, de diversos tamanhos, algumas das quais podem penetrar nos nossos pulmões e permanecer lá depositadas. Os níveis de matéria particulada no ar estão diretamente relacionados com os efeitos prejudiciais para a saúde, sendo que os componentes de menor diâmetro são os mais danosos, já que têm maior capacidade de penetração.

Alguns dos componentes tóxicos do ar podem interagir com moléculas do nosso corpo. Por exemplo, compostos chamados aldeídos podem interagir com o DNA das nossas células, alterando a sua estrutura e incrementando o risco de sofrer câncer.

O ritmo desequilibrado da vida contemporânea não resulta em boa saúde. Parar é necessário.

Como os cientistas sabem disto?

Os habitantes das grandes cidades são os principais alvos dos efeitos perniciosos do ar poluído. Pesquisadores do Redoxoma coletaram amostras de urina de habitantes da cidade de São Paulo e do município rural de São João da Boa Vista, no interior do estado de São Paulo. Nas amostras foram quantificados os níveis de α-metil-γ-hidroxi-1,N2-propano-2′-deoxiguanosina, uma molécula que se sintetiza no nosso organismo pela interação de certos aldeídos tóxicos produzidos pelos automóveis e presentes na matéria particulada do ar poluído, com o DNA das nossas células.

Os resultados mostraram que os habitantes da cidade de São Paulo têm níveis mais elevados do composto, o que sugere uma maior exposição ao ar poluído. O estudo mostra também que a quantificação dessa substância pode ser usada como marcador dos efeitos da poluição do ar sobre a saúde humana.

Às vezes ir de carro é mais rápido do que ir a pé ou de bicicleta, mas o certo é que se queremos viver muitos anos e chegar longe na vida, a sabedoria popular já forneceu o conselho: "Devagar se vai longe"!

Para saber mais

Garcia CC, Freitas FP, Sanchez AB, Di Mascio P, Medeiros MH. Elevated α-methyl-γ-hydroxy-1,N2-propano-2'-deoxyguanosine levels in urinary samples from individuals exposed to urban air pollution. Chem Res Toxicol. 2013 Nov 18;26(11):1602-4. doi: 10.1021/tx400273q


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